10 de fev. de 2015

Polêmica.

Polêmica.

É só isso que parecem esperar de mim.

Só porque surgiram por aí uns boatos...

De que eu traí o Bentinho e coisa e tal...

Essas recalcadas que ficam cobiçando meus homens...

Espera!

Eu disse “meus”?

Eu quis dizer "meu"...

MEU HOMEM!

Não me levem a mal, mulheres, mas não são todas que nascem com a sedução de uma cigana.

Não vamos falar do passado mal resolvido, não é mesmo?

Pois bem, estou aqui para dizer que vim causar polêmica. 

Uns dias atrás conheci um rapaz alto, esguio, mas com cara de doente, deveria ter por volta de 50 anos. Isso mesmo: um cinquentão interessante! Mas devo ressaltar que um pouco estranho e, infelizmente fumante. Deve fazer a social com a galera no bar, certeza. Bom... Foi o que pareceu quando vi algumas garrafas de bebidas no quarto dele. Pensando bem será que era alcoólatra também?

As recalcadas já devem estar pensando:

 “Olha só que abusada!”

“Entrou no quarto dele?”

“Que vagaba! Essa não presta!”

“Messalina!”

Mas não!

Para a tristeza dos rapazes, não teremos uma cena de sexo selvagem com um estranho.

Notei o fato das garrafas quando passei em frente ao quarto que ele havia alugado, meu novo vizinho. 

Tem vários livros também, parece ser culto.

Ainda não sei como se chama, deve ter um nome do tipo comum, como John, ou Alfred, ou Cleidosvaldo...

O que foi?

Por que tá olhando com essa cara estranha para Cleidosvaldo?

Olha lá, de novo!

E para de imaginar alguém com esse nome...

Esse nome é para bolacha, biscoito...

Tenho certeza que você ficou confuso agora, mas qualquer dia conto melhor essa historia.

Voltando ao vizinho misterioso: ele alugou também a sala de estar que tem um sofá de dois lugares, uma poltrona de leitura, uma escrivaninha bem antiga de madeira (que os pés estão um pouco judiados) e uma pequena estante.

No segundo dia que passei pela sala, ela já estava abarrotadas com livros dele e a dona da pensão pediu para não passarmos por lá, pois o vizinho pediu privacidade. Mas é obvio que não escutei e ainda entro lá com frequência para xeretar os livros.

Vários estão em Alemão. E eu não entendo patavinas do que está escrito lá, mas aposto que vou encontrar algum livro que eu consiga ler.

Se não encontrar na sala, encontro no quarto dele.

Certeza que estão pensando besteira de novo...

Dessa vez você tem razão.

Vou entrar lá escondida, afinal as portas estão velhas e se abrem com qualquer encontrão.

Estou ouvindo barulhos no corredor...

Ele chegou...